segunda-feira, 30 de abril de 2012

30 de abril II

Tudo o que tenho...
é o agora...
e lá fora, o dia...
não me oferece a rua...
aproveito o tempo...
a escrever o nada...
buscando qualquer coisa...
não deixar parada a mente...
ouvindo um som...
junto com os sons matinais...
que apesar de úmidos e cinzas...
soam aeronaves, automóveis e animais...

Duka Souto.

30 de Abril...

Minguado...
amanhece o dia...
com chuva...
a acizentar a cidade...
com nuvens...
a sair da floresta...
e pássaros...
a cantar à chuva...
que talvez...
se esvaia ao decorrer do tempo...
ou perdure...
nessa Segunda-fria...
úmida, imprensada no feriado...
depois da noite...
em que eu não dormia...

Duka Souto.

sábado, 28 de abril de 2012

Acróstico...

Anestesia-me... a energia dela...
Leve, e aconchegante, me chega...
Impossível, transpor em palavras...
Na descoberta...
Embreagantemente... me beija...


Nem que seja só... beijo apenas...
Entrelaça, me alimenta a Alma...
Por deseja-la tanto presente...
Minimalmente, a observo... na...
Utopia, no meu sonhar, me acalma...
Com a alma aberta, me entrego-lhe...
E tento, não assusta-la...
No meu ser tão intenso...
O saber, meu apaixonar, se declara, é onde me perco, no me encontrar... e onde esqueço o que é a fala...


Duka Souto

Nepomu... "sendo"

Almas sedentas...
pela descoberta...
Por sentir...
o desejo tornar-se fato...
Me surgindo...
de verde, com uma flor no cabelo...
pro meu desmantelo...
e meu embaraço...
Desacreditando...
que de verdade era...
Entregando-me...
mesmo assim... por inteiro
Pelo cheiro...
o olhar...
o tato...
e a pele...
na pele suada...
o aroma da flor orvalhada...
O toque...
descobrindo seu corpo...
Seu rosto...
demonstrando a resposta...
Do beijo...
ainda guardo o gosto...
E os lábios...
a beijar-me as costas...
Aéreo tento traduzir...
Perco até o controle dos dedos...
Tentar escrever, não! é melhor só-rir...
Entregar-me ao acaso...
Sentir-me o desejo...

Duka Souto


terça-feira, 24 de abril de 2012

Bom dia!?

Acordando...
cedo com o sol...
e os pássaros,
a desejar bom dia...
com seus cantos,
e eu,
a receber o bom dia...
com os pés no chão frio...
uma mordida de inseto noturno...
a coçar na minha mão...
direita...
desligo a música...
que tocou enquanto eu dormia...
desperto para mais um...
um dia...
o que me aguarda?
que surpresa ele me guardará para hoje?
ou será que,
será apenas mais um dia comum? ...
cheio de vazio...
ficando só...
preenchido com os versos que a solidão traz?

Duka Souto

sábado, 21 de abril de 2012

Sábado Cinza...

Sábado cinza...
e eu, ...
esparramado no sofá...
com preguiça de existir...
mover-me...
e...
até de mudar o canal da tevê...
Mas...
uma vontade...
de ...
sair e ver o mundo...
contudo...
fico no mesmo canto...
pego o violão...
finjo tocar umas músicas...
fumo alguns cigarros...
e o tempo...
parece tão parado...
quanto...
a imagem cinza...
que existe janela a fora...
Ainda me resta...
ao menos...
registrar...
esse completo tédio...
uma casa vazia...
um ser humano a ...
esvaziar sua solidão...
com as palavras de um sábado cinza...

Duka Souto

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Acento-pontuando..

Um ponto...
suspenso no ar...
Enraizada...
uma exclamação brota...
uma vírgula...
em gota de orvalho...
com reticências...
indagou a flor torta...

Quando o inseto...
do chapéu de circunflexo...
a pendurar-se...
numa interrogação...
gritou...
_Ei! Você...
dos asteriscos nos olhos...
para que esse til na sobrancelha?

E entre aspas...
abrem chaves e colchetes...
no ponto e vírgula...
uma crase a sorrir...
olhando o trema em cima do U...
depois o agudo no A...
e o agora é Já...

Duka Souto

sábado, 14 de abril de 2012

O vento chega...


o vento chega...
levando consigo...
no som do choro...
um pedaço do sentimento...
um fragmento da minha dor...

o vento chega...
soprando pra longe...
um tanto de ausência...
umas lascas do tempo...
e gotas de cor...

o vento chega...
soando a sinfonia do hoje...
cantando o agora...
girando um cata-vento...
e o cheiro é de flor...

Duka Souto.


Como a mim sorris...

Grito amor,
ao mundo...
e o verso,
disso tudo é lindo...
mesmo no processo, bruto...
todo som, escuto...
e toda cor eu vejo...
beijos as flores-belas...
como um colibrí...
sorrindo pra elas...
como a mim sorris...

Duka Souto.