sábado, 24 de abril de 2010

Vago pelo vento, no tempo
D'um compasso quaternário
Um mar de nuvens ao relento, no céu...
um gasoso balneário...

Duka Souto

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Prece...

livrai-me da presença..
de quem não gosta de flores...
de quem puxa o nariz do palhaço...
de quem não deseja bom dia...
de quem adora cortar o laço...
de quem teme ser feliz...
de quem reclama ao ouvir música...
de quem finge que não escuta...
de quem não é aprendiz...
de quem representa ser outro...
mas a vida não é palco...
de quem proporciona o desgosto...
sempre com a alma lavada...
de quem quer tudo pra si...
de quem também não quer nada...
de tudo que não faz rir...
do fim do canto da alvorada...
da vida sem poesia...
do riso sem alegria...
do final da caminhada...


Duka Souto

Simbiose

Nas alvoradas... caminhando rumo ao sol...
encruzilhadas e esquinas, tateando o vento...
O tempo, mostra-se tão claro quanto a luz...
clarificando sensibilidade e sentimento...

A simbiose da energia,
vai nublando o meio-dia...
sombra no sol, faz a paz...
No intervalo da inspiração,
a imensidão que guia...
para nunca olhar pra trás...

Pra plantar flores no jardim da escuridão,
Desabrochar de várias cores, com as mãos pintando...
Todas as forças gravitacionais, se vão...
E por inércia, é que as coisas vão se transformando...

Duka Souto

sábado, 10 de abril de 2010

... ... ...

Como se pudesse...
fazer tudo que quer...
eu calo...
calo com um grito...
grotesco mas não aflito...
silencioso...
ruidoso...
e...
bonito...
como o primeiro passo adiante de uma criança que aprendera a andar...
como um velho banguelo que depois de anos volta a sorrir e mastigar...
como ter a primeira namorada... e no primeiro beijo... pensar... eu a amo...
sem nem mesmo saber o que é amor... e que ele muda com o tempo...
esse grito...
carregado de silêncio...
entorpecido de paz...
embriagado de mim...
eu chamo de poesia...

Duka Souto

Momento...

Um momento solitário...
num silêncio ruidoso...
automóveis a passar na rua...
a vida nua... na sua forma de se estar...
só...
sem a presença de ninguém...
acompanhado apenas de palavras...
que se deixam sair pelos dedos...
no estado em que a alma...
clama pela solidão...
na finalidade de conversar consigo...
e nesse abrigo...
ser...
e estar...
apenas...
só...


Duka Souto

sexta-feira, 9 de abril de 2010

...

E ela...
no jardim das flores...
travestida de menina, com seus olhos de fogo...
no silêncio...
como os olhos fechados...
o meu eu solitário...
escreve a ela de novo...
Pintada de pintas furta-cor...
reluzentes como madre-pérolas...
meu e dela é o nosso amor...
construído de dedos...
água e aquarela...

Duka Souto

O caderno da alma

Por horas...
versifica-se o tempo...
Ao relento...
o silêncio distrai...
O calor...
deixa o corpo sebento...
e sedento da vida...
sempre querendo mais...
Inicia-se...
o caderno da alma...
sempre com toda calma...
a escrita que vem...
Não pertencendo ao ser que a transcreve...
numa pausa tão breve...
a mente chega ao Zen...

Duka Souto

Deleitado

Suavemente... a poesia...retorna...
leve como a fibra de carbono...
colorida como a aurora boreal...
molhada e escorregadia como pedras de um rio de corredeiras...
simples como uma manhã em cidade de interior...
com palavras simples...
sem gramática normativa...
com um sorriso...quem sabe banguelo...
ou cheio de dentes de leite...
deleite-se...

Duka Souto


Rabiscam...

Os versos jogados no canto da sala...
A palavra, de ressaca, no sofá...
Advérbios e preposições famintas,
fuçam a geladeira e a dispensa,
em busca de papel, para degustar...

Um verbo, vestido de cupido, atira flechas de amor...
Substantivos, pronomes, artigos e todas as outras classes,
apaixonadas pelo grafite do lápis, em atrito com a madeira...

Rabiscam um poema...

Duka Souto.