segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Segunda-feira

Lá fora, ...
faz um dia cinza...
enquanto aqui, ...
eu meio cinza por dentro...
meio vazio...
podia estar vazio por completo...

Assim, ...
poderia preencher...
inteiramente...
de coisas novas...
de coisas boas...
de não coisas também...

Sentires...
poderia abrir-me...
para sentir amor...
e deixar a paixão...
me consumir...
deixar sua loucura tomar-me...
transformando a minha loucura...
em lucidez passional...

Quero um sorriso dentro de meu peito...
quero frio na barriga...
quando ouvir uma voz...
quero ouvir uma voz...
quero um telefonema...
e telefonar...
só pra dizer um "oi"...

Combinar...
de se encontrar...
pelo caminho...
em algum jardim...
roubar uma flor...
pra encantar...
e me encantar...
com o brilho dos olhos da bela...
tocar sua pele...

Não ver cinza...
ver flores...
sentir o orvalho da brisa...
exalando o aroma dos amores...

Duka Souto

sábado, 10 de novembro de 2012

E eu... II

E eu, aqui...
a reinventar palavras...
na tentativa de descreve-la...
com seu andar de onça...
seus ombros, aconstelados...
num céu claro, com estrelas...
em sépia...

Novamente...
me encanto...
com as memórias...
de um breve encontro...
a de um primeiro beijo...
tenso...
vestido de timidez...
da coceira nas minhas mãos...
a desejar...
a pele dela...
para que as pontas de meus dedos...
pudessem... enfim...
beijar ao toque...
suas constelações...
pintadas pela luz...

Sei que ainda juntarei...
outras palavras...
na busca, de descrever...
essa bela-moça-onça...
do sorrir lua-crescente...
cujo o olhar me entroncha...
latejando em minha mente...

Duka Souto

E eu...

E eu, aqui, ainda...
a pensar nos olhos dela...
da textura da sua pele...
pintada e linda...
no formato de seu rosto...
naquele beijar...
no cheiro e no gosto...

Mas o que fazer?
Se não aguardar?

Ela é mãe...
professora...
dançarina...
e palhaça...

E eu...
um poeta...
um bobo...
encantado...
a me abestalhar...

Duka Souto

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Cheio...

Quero um verso cheio...
lotado de sorte...
meu sentir alheio...
desejando a morte...
se consome aos poucos...
infiltrado aos loucos...
pelas ruas, becos...
e encruzilhadas...
a fumar cigarros...
fazer poesia...
degustar cachaças...
noites viram dia...
dias não terminam...
a energia acaba...
e a vida que ia...
sem ser viva, cala...

Duka Souto