quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Stella Maris

No brancor azulado de tuas dunas...

no verde das tuas águas salgadas...

nos silêncios passarinheiros, os sabiás...

cantam para as felizes alvoradas...

e seu canto vai também para os crepúsculos...

laranja avermelhando pro dourado...

calmos, silenciosos, sempre muitos...

luares à beira mar... do outro lado...

Te olho como uma brisa leve e quente...

que passa pós a chuva a anunciar...

que guardo com amor, saudosa-a-mente...

Stella Maris, Salvador-Bahia.

Duka Souto

Pérola do Semi-Árido



Nos olhos do sertanejo
A seca do licuri
A pele rachada, da seca
Mas nunca se deixa de ri
A simplicidade do povo
Que labuta o dia inteiro
E ainda pega na viola
Se junta também com o pandeiro
Trabalha a semana, pra feira
Pra comprar o de comer
Recebe quase uma esmola
Chega ser difícil de crer
Comprando a subsistência
Sua alimentação
Ainda dentro da bondade
Sobra um para doação
Reza pra chuva cair
Pro sertão se enverdecer
Pra cultura licuri
Nunca desaparecer...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Nunca...

Nunca, é muito tarde...
e foge dos princípios...
pois só o que é perto, arde...
invade os sentidos...

Nunca, é tão distante...
que o perto, desaparece...
embreaga o belo, o infante...
toda noite, então, amanhece...

Nunca, é o contrário...
o oposto pólo do eixo...
fica no imaginário...
o que penso, contudo deixo...

Nunca, existirá nada...
capáz de nunca ser...
nunca, será a morte...
nunca deixe de viver...

Duka Souto.

sábado, 15 de agosto de 2009

Comia-se a noite,
naquela tarde, ensolarada
de chuva, na janela
d'um quarto sem janelas...
E numa quina, bem dobrada
ouvia-se a noite
gritando pro dia:
Podia ter sido, de madrugada
Quem sabe? outra hora...
Senhora... tão nua
Lua de sorriso
preciso ir, não fique
salpique de estrelas
belas brilhantinas
e a noite... calada...
pincelando rimas.

Duka Souto.

domingo, 9 de agosto de 2009

Virtude...

A poesia virtude dos bôbos.
Retiram a própria cabeça da forca,
Como as palavras saltitam da boca,
Conquistam rei e o rebanho dos tolos...

Com versos simples, encantando a todos,
Vão recitando, as histórias mais loucas.
Contam que os cordeirinhos são lobos,
E arrancam suspiros das jovens moças.

Ora... contudo são poetas tristes
Que vivem sempre a desejar a morte.
No bote, a cada verso que persiste...

Dão sua alma quando tiram a sorte,
Mesmo perdendo mostram que existe...
Também nos fracos, algo bom e forte.

Duka Souto.
10 de agosto de 2009.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Brincadeirinha...

pinto aqui sentado na cadeira
uma versão derradeira
dum poema inexistente...

louco como uma longa bebedeira
e uma puta cachaceira
embolando num repente...

beata na festa da padroeira
ao lado da macumbeira
rezando e dando as mãos...

oração que se ora por inteira
cada um da sua maneira
seja branco ou tição...

o vão dessa mente inconsequente
se separa com um traço
que ninguém consegue ver...

e o laço se desfaz na tua frente
surgindo no embaraço
e o que eu tento dizer...

é coisa boba sem explicação
é viagem de doidão
que hoje ainda não fumou...

mas vive a se perder na imensidão
nas palavras o tesão
cada verso que indagou...

mas traga o cigarro pra janela
pra não incomodar ela
com a catinga da fumaça...

e faça numa folha amarela
coberta de aquarela
um cajú virando passa...

se olha a lua toda prateada
com a boca arreganhada
cara de abestalhado...

pegando o pandeiro na embolada
numa rima bem quebrada
o som fica arretado...

eu posso passar a noite todinha
com essa brincadeirinha
de rimar visse doutor!?

mas tenho que sair mesmo agorinha
por que tem gente na linha
querendo o computador.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Queria não...

queria ser só...
queria não amar...
ninguém além de mim...
queria remover o nó...
queria arrancar...
e se assim...
fosse...
eu não seria...
eu...
não seria poesia...
nem prosa...
seria um amargo...
cinza seria a rosa...
não teria o trago...
não traria em mim...
ela...
ficaria eu...
assistindo da janela...
a vida passar...
e nem a mim mesmo...
poderia amar...

Lágrimas Sêcas

Lágrimas...
me escorrem dos olhos...
um dia daqueles...
em que penso em...
com tudo acabar...
finalizar a vida...
dar vez a...
quem sabe a morte...
mas...
sair da vida como um covarde...
como um fraco...
isso não...
já acabei com minha vida outra vez...
e ela... a vida...
me mostrou que na fraqueza assumida...
ganho força...
e forte-fico...
para continuar a jornada...
a Odisséia...
embora a angústia...
a saudade...
e a tristeza...
sejam presentes...
mas que presentes seriam estes...
que trazem dor...
trazem lágrimas...
agudas...
ácidamente acutíssimas...
corroem-me por inteiro...
ou quase isso...?
não sei... mas...
hoje meu fim de dia foi assim...
triste...
promessas que tive que cobrar...
recebendo como resposta...
_tudo tem que ser no seu tempo? ...
_e o meu tempo?...
duelo de egos...
é...
é...
contudo...
a poesia proseada me ajuda...
faz-me derramar lágrimas sêcas...
de saudade sêca...
de tristeza sêca...
de insatisfação...
seca...
viram pó...
mas não inalo-o mais...
pelo contrário...
sopro-o...
só por...
não querer mais...
sentir o cheiro...
e simplesmente...
cristalizo minhas lágrimas...
e choro.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

todo Santo dia de Santo.

curvas...
entrelinhas...
dos pensares...
palavras...
que falam...
versos...
certos...
de que errar...
não é errado...
o erro é...
não tentar...
exitar...
a experimentação...
de novas formas...
novas cores...
novas certezas...
incertas...
maneiras de olhar...
e ver...
tipos de postura...
diferênças...
de luz...
e sombras...
antagônias...
antônimos...
marias...
antonios...
etinias...
caras...
rostos...
caretas...
loucos...
anjos...
demônios...
deuses...
diabos...
almas...
risos...
brisas...
tormentas...
lágrimas...
felicidades...
do apenas...
ser...
e tentar...
ser...
melhor...
ou diferente...
dia...
e noite...
todo...
santo...
dia...
é...
de...
santo...


terça-feira, 23 de junho de 2009

cinza...

Olhando em volta...
do pensamento...
um rebuliço...
uma coisa louca...
o gosto...
da tinta...
na boca da pintura...
o azul no cinza...
quantifica pouca...

A causa...
a origem...
a nascente do fato...
no ato a fumaça...
que passa...
encharca...
o verde queimando...
no fogo azulado...
no trago...
o engasgo...
onde tudo embassa...

Compassa...
no modo também...
ritimado...
molhado, embora na fala...
a secura...
a loucura só observando...
a certeza...
da clareza dum campo...
florido em fartura...

Na estrutura...
do tempo onde o ser...
se completa...
ser poeta...
até sem saber escrever...
olhando no fundo...
de cada alma quieta...
ouvindo o que...
elas tem a lhe dizer...

domingo, 14 de junho de 2009

As Pétalas

as pétalas...
são os braços da flôr...
abrigo para seres de poesia...
os abraços orvalhados delas...
florescem cores quentes...
alegrias...
filtram as tristezas...
com beleza...
leveza e sintônia...
espalham pelo ar...
o perfume do amor...
onde a cor...
não se define...
muito logo ilumine...
e cristalize...
pelo toque de sua seda...
na pele...
arrepiando os pelos...
acolhendo meu ouvido...
em seu colo...
me acalmando com seus...
cardíacos batimentos...
livro-me de pensamentos...
viajo por entre estrelas...
carregado pelas pétalas...
da minha flôr...
perdido...
no sentimento colorido...
e florido...
que chamo de amor...

Duka Souto 09

Só...

como fossem nuvens...
um cobertor esquenta o frio...
o dia de sol gelado...
ao lado...
a solidão...
o espaço vazio entre eu e mim...
o fim...
da semana dando início...
à doçura...
ao estar próximo de...
ninguém...
apenas os eus...
se retratam em poesia...
sem rimas...
sem flôres...
só palavras...
de soletude...
substâncial...
o ato de estar só...
e só estar...
sentado à cama...
obsvervando os quadros...
pendurados nas paredes do quarto...
viajando através deles...
indo a outros lugares...
estando no mesmo lugar...
movendo apenas dedos...
e a alma...
sempre acalma...
e a calma...
traz a paz...
de estar só...
na solidão...
no espaço vazio entre eu e mim...

Duka Souto 09

Abrigo

o abrigo...
do amor...
é o carinho...
a paixão...
dos corpos...
suados...
a saudade...
da brancura dela...
do olhar...
do sorriso...
do falar...
do silêncio...
...
é quando...
assim...
sem mais...
os sabores...
e arômas...
se revelam...
e revelam...
na pele...
de meu corpo...
o suor dela...
em gotas de orvalho...
quentes...
nas suas pétalas...
minha flôr...
meu abrigo...
meu amor...

Duka Souto 09

quinta-feira, 14 de maio de 2009

como se fossem acasos...
num silêncio de profunda paz...
ou apenas ouvidos muito sensíveis a pensamentos...
escutando-os insessávelmente quando partem daquela flor...
isso é como se, para ele, completasse...
autenticasse ainda mais aquele sentimento...
aquele amor... esse amor...
e assim... num bailar de bolhas coloridas...
sorrisos e olhares...
toques corpo a corpo...
as energias somadas resultando a unidade...
dizem sem palavra alguma...
a coisa intensamente... natural...
a completude... de...
não sei dizer... com palavras...
senti-la já é de uma imensidão...
só quem sentiu algo parecido tem uma leve idéia...
nisso... nesse balet de bolhas bailantes...
brincantes... o poeta e sua flor...
vivem...
amam-se...
cozinham feitiços com a colher de pau...
mistaram sabores...
cores nutritivamente... delicosas...
e, em particular...
são tantas coisas...
tantas semelhanças...
tantos completares...
danças...
degustes...
aromadamente...
dôces, picantes, numa mixigenação...
de tons de luz...
ardente...

Re-Encontro

Re-Encontro

14/05/09

No re-encontro sonoro...
no qual almas... formam-se em notas...
música... energia... em compassos...
saudades... que viram canção...
fazem do som um irmão...
o vão da eternidade...
se abre... na evocação...
todos são um na verdade...
das teclas à percussão...
das cordas vocais ao pinho da viola...
a música se desenrola...
como um novelo de lã...
embora o tempo meio curto...
momentos que duram pra sempre...
cravados no meu absurdo...
nas notas que tocam na mente...
sente...
sente...
e escuta...
compassa o compasso...
sem batuta...
o maestro eu chamo de pai...
tem gente que chama de deus..
o que importa é que o som vai...
sair ao encontrar irmãos meus...

Recife Souto

Saudade desse Recife...

Saudade desse Recife...

13/05/09

Recife de rios e mar...
Do Paço, do Marco, das pontes...
Do Capibaribe, da lama...
Para qualquer lado que apontes...
Recife da velha Moeda...
Do Parque Treze de Maio...
De amigos, irmãos, doutros sons...
Do maracatu no embalo...
Recife de Olinda irmã...
De onde te vejo mais bela...
Da Sé, lá no alto sentado...
Te pinto em poema e aquarela...
Te deixo mas fico aí...
Ou aqui onde quer que esteja...
Te levo comigo Cidade...
Mesmo que tu não me vejas...
E os anos podem-se passar...
Tuas cores mudar ou em parte...
Nessa lama do encontro rio-mar...
Respiro no odor tuas Artes...

sábado, 18 de abril de 2009

...

Agora...
depois...
do momento...
triste...
alegre...
mente...
minha...
solidão...
se esvai...
vai...
e cai...
mas...
se...
levanta...
e...
dança...
com...
a...
alma...
do...
palhaço...
ferroza...
dourada...
de sol...
e...
forte...
como...
o...
aço...
e o laço...
mais...
parece...
uma...
borboleta...
batendo...
suas...
asas...
pelo...
campo...
toando...
um...
solo...
de...
escaleta...
deixando...
de...
tristeza...
e...
de...
pranto...
um...
tanto...
a mais...
de...
felicidade...
por...
onde...
o...
pôr-de-sol...
é mais...
laranja...
esbanja...
versos...
versatilidade...
verdade...
coisa...
simplesmente...
bela...
pintada...
numa...
tela...
colorida...
saudade...
feita...
a...
dedo...
e...
aquarela...
sol-i-taria-mente...
dolorida...
rompida...
pela...
poesia...
cheia...
de...
sentires...
verdes...
como...
as...
folhas...
clareia...
areia...
quente...
vira...
bolhas...
de...
vidro...
transparente...
fino...
é...
frágil...
mas...
ágil...
como...
quem...
tá...
com...
a...
libido...
e...
forte...
como...
a...
morte...
que...
quer...
vida...
a...
flor...
que...
é...
mais...
que...
colorida...

...

...

...

...
...
...
DukaSouto...
...
...

...

Sol-i-dão

cores... onde mora o sentimento...
o tempo... de ser só...hoje consome...
a fome... some e o contentamento...
libera... a fera... o lobisomem...

coisas... aleatorimamente sem nexo...
palavras... que se expressam ao pensar...
loucuras... transformadas aqui em versos...
lápsos... de verdades... ao só estar....

porém... há beleza em tudo isso...
e nunca... nunca é pouco eu diria...
falando... sem ter som ou alegria...

faria... tudo para tê-la agora ao lado...
não tenho... a poesia fala disso...
fico... então me sentindo abandonado...

Duka Souto
18/04/09