segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Segunda-feira

Lá fora, ...
faz um dia cinza...
enquanto aqui, ...
eu meio cinza por dentro...
meio vazio...
podia estar vazio por completo...

Assim, ...
poderia preencher...
inteiramente...
de coisas novas...
de coisas boas...
de não coisas também...

Sentires...
poderia abrir-me...
para sentir amor...
e deixar a paixão...
me consumir...
deixar sua loucura tomar-me...
transformando a minha loucura...
em lucidez passional...

Quero um sorriso dentro de meu peito...
quero frio na barriga...
quando ouvir uma voz...
quero ouvir uma voz...
quero um telefonema...
e telefonar...
só pra dizer um "oi"...

Combinar...
de se encontrar...
pelo caminho...
em algum jardim...
roubar uma flor...
pra encantar...
e me encantar...
com o brilho dos olhos da bela...
tocar sua pele...

Não ver cinza...
ver flores...
sentir o orvalho da brisa...
exalando o aroma dos amores...

Duka Souto

sábado, 10 de novembro de 2012

E eu... II

E eu, aqui...
a reinventar palavras...
na tentativa de descreve-la...
com seu andar de onça...
seus ombros, aconstelados...
num céu claro, com estrelas...
em sépia...

Novamente...
me encanto...
com as memórias...
de um breve encontro...
a de um primeiro beijo...
tenso...
vestido de timidez...
da coceira nas minhas mãos...
a desejar...
a pele dela...
para que as pontas de meus dedos...
pudessem... enfim...
beijar ao toque...
suas constelações...
pintadas pela luz...

Sei que ainda juntarei...
outras palavras...
na busca, de descrever...
essa bela-moça-onça...
do sorrir lua-crescente...
cujo o olhar me entroncha...
latejando em minha mente...

Duka Souto

E eu...

E eu, aqui, ainda...
a pensar nos olhos dela...
da textura da sua pele...
pintada e linda...
no formato de seu rosto...
naquele beijar...
no cheiro e no gosto...

Mas o que fazer?
Se não aguardar?

Ela é mãe...
professora...
dançarina...
e palhaça...

E eu...
um poeta...
um bobo...
encantado...
a me abestalhar...

Duka Souto

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Cheio...

Quero um verso cheio...
lotado de sorte...
meu sentir alheio...
desejando a morte...
se consome aos poucos...
infiltrado aos loucos...
pelas ruas, becos...
e encruzilhadas...
a fumar cigarros...
fazer poesia...
degustar cachaças...
noites viram dia...
dias não terminam...
a energia acaba...
e a vida que ia...
sem ser viva, cala...

Duka Souto

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Intens-er

Posso ser intenso...
sendo isso; penso,
deve até assustar...
Um...
sentir...
tão imenso...
vasto,
largo e espaçoso...
encantador,
caloroso...
que nem,
quando dança...
o fogo...
a labareda...
a faísca...
a fagulha...
a água... que de quente...
ferve...
na ebulição...
borbulha...
A tinta da caneta...
que escreve...
registra...
o que vem do olhar...
à espreita...
A observar...
o mundo em volta...
por entre as lentes...
da luneta...

Duka Souto

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ansiedade...

O que dizer...?
é melhor o silêncio...
até do próprio corpo...
do ser...
do sentir...
Ansiedade...
a rir da mente inquieta...
a liberdade...
não ultrapassa a porta aberta...
o silêncio...
é o melhor a escolher...
o silêncio dos olhos...
o que dizer...?

Duka Souto

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Escassez

Deixei o tempo me levar...
pra onde... 
o vento quisesse...
saindo em noites...
madrugadas...
voltando sempre... 
bem depois que amanhece...

Nos bares...
tragos de álcool e tabaco...
e outros tragos a surgir...
trago, as palavras... 
trago, os versos...
trago, os lábios, das moças...
a sorrir...

Na degustância...
do tragar da vida...
tento trazer...
somente, o que sustenta...
Trago, o que me esfria...
enquanto quente... 
e quando esfria...
o que me esquenta...

Trago... 
as cores da primavera...
e as flores...
trago-as em buquês...

Trago...
no silêncio da noite...
a certeza...
de mais uma vez...

Aos...
olhares curiosos das janelas...
trago amores...
hoje em escassez...

Duka Souto


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Na estrada... um verso... só... verso...

Eu escreveria um verso,
para a estrada sinuosa...
ou pra moça, lá da frente...
e sua face formosa...

Escolhi fazer só verso...
simples, como o papel...
cru, fino e seco...

Iluminado como a rua...
e escuro como um beco...

Vazio que nem bambú...
lotado que nem busão...
pesando que nem bigorna...
e tão cheio que chega esborra...
mas voa que nem Azulão...

Um verso feito a noite...
na espreita, no açoite...

Um verso feito o dia...
tão volátil quanto o éter...
e com cores derrentendo...
como em pura lissergia...

Um verso feito a tarde...
o dourado do sol arde...

E na chegada do luar...
o azul da noite invade...
com estrelas, cintilantes...
e os sorrisos das moças dançantes...
pelas noites a trabalhar...

Duka Souto

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Nada Brota

Queria ter o poder...
pra fazer o tempo voltar...
mudar ia minha mente...
minhas ações e meu pensar...

Quem sabe hoje ainda teria...
no meu vaso aquela flor...
ter de volta a primavera...
que o inferno frio levou...
e vê de minha própria janela...
o colibri beijando a flor...

Não teria como hoje...
a cor cinza a minha volta...
muito menos um vaso vazio...
onde a vida já não brota...


Duka Souto 

domingo, 12 de agosto de 2012

Pai...

Exatamente...
sendo igual...
mesmo muito diferente...
o que um dia serei, também...
o tal... o cara...
a figura do espelho...
o palhaço, o herói...
sempre sem super-poderes...
o das histórias...
dos, dizeres...
o dos concelhos...
e dos silêncios...
o louco que lê...
por muitas vezes...
o que ouvi, dito pelo vento...
coisas que por ventura, penso...
o que observa meu sonhar...
o que me cuida...
e me faz chorar...
o que ao soar o violão...

faz Mainha, cantar...
e vice-versa é que eu digo...
com ela fiquei no umbigo...
depois o mesmo, Bruxo-velho...
sendo um pouco ainda mais novo..
me mostrara, por vezes, ao pescar...
na maré-suja, o arremesso...
que mais tarde... era...
defronte ao mar...
foi comigo pegar jacarés...
e no peito, me fez mergulhar
em Gaibú...
nos verões e invernos...
me ensinou a passar por infernos...
e por céus...
onde tudo era azul...
essa alma,
cuja voz acalma...
mesmo sendo o maior dos Nervosos...
que conquista com os olhos estirados...
os ouvidos de velhos e novos...
o ar que move a corrente...
deste ser feito d'água e repente...
e que sente uma saudade imensa...
deste besta que escolhe estar longe...
sabendo mesmo que lhe consome...
e está certo: _ a saudade compensa...
e está certo de que sempre vai...
com amor, falar sobre seu Pai...


Duka Souto..

domingo, 1 de julho de 2012

No meu Canto...

Passaria, toda uma vida...
observando-a passar...
seu andar cheio de charme...
até parece flutuar...

O rasgado dos seus olhos...
os traços retos do seu rosto...
o fino fio de seu cabelo...
a cada vez que por mim passa...
na minha mente um desmantelo...

E observo, é o que faço...
a cada sutil movimento...
dentro do atual espaço...
olho, me abestalho, me encanto...
rabisco a página...
caladinho no meu canto...

Duka Souto

sábado, 9 de junho de 2012

Cores do vazio cinza...

Pensando em cores...
para preencher...
o cinza...
do vazio, ...
instalado no meu sentir...

Tentei ver o azul do céu...
mas uma nuvem...
que de cinza...
ficou rubra, ao chegar a noite...
cobre a cidade...
há alguns dias...

Esquentei meu frio...
com o amarelo...
dos flocos de milho...
de um cuscuz...
o pretume...
de um café forte...
o vermelho...
temperado...
em um molho de tomate...

Termino com as cores...
de um copo d'água...
e aos poucos...
transparente, a mente...
vai se encontrando...
e encontrando...
o conforto...
aconchegante...
da solidão das cores...

Duka Souto

Da porta do quarto...

Chuva lá fora...
a cidade some...
dentro de uma nuvem baixa...
turva... e cinza...

Na mureta, da área de serviço...
três mudas de orquídeas crescem...
com suas raízes, que ao mundo aparecem...
a buscar substrato de vida...
entre cactos, suculentas,
e um mato que lembra...
o alecrim...

Mais acima...
uma Phalaenopsis Alba...
preparando-se para florir...
em pleno fim de outono...
mais um cacho de flores...
sorrirá pra mim...

Duka Souto

Frio...

Queria...
não estar distante...
que o presente,
fosse,
onde pensássemos...
e...
estaria-mos lá...
onde...
num piscar de olhos...
a vontade dissesse...
mas agora...
o presente é frio...
e distante...
de onde...
minha vontade diz...
querer está...
apenas o esvaziar-me...
com palavras frias...
me esquenta...
e aquece...
meu ser...
meu presente...

Duka Souto

Opaco...

Confusão...
mente inquieta...
e não para de chover...
frio...
meias nos pés...
casaco... e ainda frio...
meu sentimento...
frio!
meu pensamento...
vazio!
meu olhar...
opaco...
como um caco de vidro...
sujo de barro...

Duka Souto

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Reflexão do entorno...

deixar pra trás...
o que não é presente...
em frente...
é que se deve olhar...
gargalhar...
das dores que sente...
com o próprio corpo...
se descarregar...
ou com palavras...
ao vento, explodir...
para unir os pedaços...
re-interpretar os fatos...
fazer novos retratos...
e de novo em frente seguir...
içar velas...
e desligar o motor...
pra ver descer bolas amarelas...
laranjas, a cada sol que se pôr...
debruçar-se nas varandas...
e nas janelas...
descobrir o amor...

Duka Souto 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Alimento...

Sinto a vida,
de uma maneira...
onde os sentires de vida...
são como os sabores...
e carregando cores...
como alimentos...

Uns de cor estranha...
mas de sabores agradáveis...
Outros encantadores...
contudo indigestos...

Cada um deles...
desses sentimentos...
do sentir a vida...
tem uma função orgânica...
no desenvolvimento...
da árvore...
que eu chamo...
de eu...

Duka Souto

terça-feira, 8 de maio de 2012

Com paz - sô!

Gire como um, compasso!
-com uma ponta presa à uma base...

Olhe em volta de si mesmo!

Passa um infinito, à circular...
e a infinitar-se, como energia...
Em silêncio...
luminoso, ...
mais veloz que o som...
vasto...
interminável...
É o mundo, ...
e todas as possibilidades...
de tudo mudar...

É apenas olhar...
em volta de si mesmo...
e circular...
imerso... no infinito que passa...

                                     Duka Souto

segunda-feira, 30 de abril de 2012

30 de abril II

Tudo o que tenho...
é o agora...
e lá fora, o dia...
não me oferece a rua...
aproveito o tempo...
a escrever o nada...
buscando qualquer coisa...
não deixar parada a mente...
ouvindo um som...
junto com os sons matinais...
que apesar de úmidos e cinzas...
soam aeronaves, automóveis e animais...

Duka Souto.

30 de Abril...

Minguado...
amanhece o dia...
com chuva...
a acizentar a cidade...
com nuvens...
a sair da floresta...
e pássaros...
a cantar à chuva...
que talvez...
se esvaia ao decorrer do tempo...
ou perdure...
nessa Segunda-fria...
úmida, imprensada no feriado...
depois da noite...
em que eu não dormia...

Duka Souto.

sábado, 28 de abril de 2012

Acróstico...

Anestesia-me... a energia dela...
Leve, e aconchegante, me chega...
Impossível, transpor em palavras...
Na descoberta...
Embreagantemente... me beija...


Nem que seja só... beijo apenas...
Entrelaça, me alimenta a Alma...
Por deseja-la tanto presente...
Minimalmente, a observo... na...
Utopia, no meu sonhar, me acalma...
Com a alma aberta, me entrego-lhe...
E tento, não assusta-la...
No meu ser tão intenso...
O saber, meu apaixonar, se declara, é onde me perco, no me encontrar... e onde esqueço o que é a fala...


Duka Souto

Nepomu... "sendo"

Almas sedentas...
pela descoberta...
Por sentir...
o desejo tornar-se fato...
Me surgindo...
de verde, com uma flor no cabelo...
pro meu desmantelo...
e meu embaraço...
Desacreditando...
que de verdade era...
Entregando-me...
mesmo assim... por inteiro
Pelo cheiro...
o olhar...
o tato...
e a pele...
na pele suada...
o aroma da flor orvalhada...
O toque...
descobrindo seu corpo...
Seu rosto...
demonstrando a resposta...
Do beijo...
ainda guardo o gosto...
E os lábios...
a beijar-me as costas...
Aéreo tento traduzir...
Perco até o controle dos dedos...
Tentar escrever, não! é melhor só-rir...
Entregar-me ao acaso...
Sentir-me o desejo...

Duka Souto


terça-feira, 24 de abril de 2012

Bom dia!?

Acordando...
cedo com o sol...
e os pássaros,
a desejar bom dia...
com seus cantos,
e eu,
a receber o bom dia...
com os pés no chão frio...
uma mordida de inseto noturno...
a coçar na minha mão...
direita...
desligo a música...
que tocou enquanto eu dormia...
desperto para mais um...
um dia...
o que me aguarda?
que surpresa ele me guardará para hoje?
ou será que,
será apenas mais um dia comum? ...
cheio de vazio...
ficando só...
preenchido com os versos que a solidão traz?

Duka Souto

sábado, 21 de abril de 2012

Sábado Cinza...

Sábado cinza...
e eu, ...
esparramado no sofá...
com preguiça de existir...
mover-me...
e...
até de mudar o canal da tevê...
Mas...
uma vontade...
de ...
sair e ver o mundo...
contudo...
fico no mesmo canto...
pego o violão...
finjo tocar umas músicas...
fumo alguns cigarros...
e o tempo...
parece tão parado...
quanto...
a imagem cinza...
que existe janela a fora...
Ainda me resta...
ao menos...
registrar...
esse completo tédio...
uma casa vazia...
um ser humano a ...
esvaziar sua solidão...
com as palavras de um sábado cinza...

Duka Souto

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Acento-pontuando..

Um ponto...
suspenso no ar...
Enraizada...
uma exclamação brota...
uma vírgula...
em gota de orvalho...
com reticências...
indagou a flor torta...

Quando o inseto...
do chapéu de circunflexo...
a pendurar-se...
numa interrogação...
gritou...
_Ei! Você...
dos asteriscos nos olhos...
para que esse til na sobrancelha?

E entre aspas...
abrem chaves e colchetes...
no ponto e vírgula...
uma crase a sorrir...
olhando o trema em cima do U...
depois o agudo no A...
e o agora é Já...

Duka Souto

sábado, 14 de abril de 2012

O vento chega...


o vento chega...
levando consigo...
no som do choro...
um pedaço do sentimento...
um fragmento da minha dor...

o vento chega...
soprando pra longe...
um tanto de ausência...
umas lascas do tempo...
e gotas de cor...

o vento chega...
soando a sinfonia do hoje...
cantando o agora...
girando um cata-vento...
e o cheiro é de flor...

Duka Souto.


Como a mim sorris...

Grito amor,
ao mundo...
e o verso,
disso tudo é lindo...
mesmo no processo, bruto...
todo som, escuto...
e toda cor eu vejo...
beijos as flores-belas...
como um colibrí...
sorrindo pra elas...
como a mim sorris...

Duka Souto.

terça-feira, 20 de março de 2012

O quadro...

Uma mancha carmim...
e um rosto marrom...
assim, foi que enxerguei...
hoje à tarde, ao pintar...
um poema desenhado..
com vontade, da descoberta...
a sentir um... sentir... colorido...
que em vermelho cândido...
sombra tostada...
branco zinco...
e preto...
coloriram o vazio...
preenchendo, minha tarde de paixão...

Duka Souto

quarta-feira, 14 de março de 2012

Chuva de Sentimentos...

E de um pedido de desculpas...
uma idéia nasce...


_Podia compilar...
ou melhor, espalhar...
subir numa torre bem alta e...
jogar lá de cima...
bombons de trocadilhos e palavras...
ia ser a primeira vez que ia cair...
uma chuva de sentimentos...


_Talvez também...
o primeiro trovejar de versos...
numa ventania poética...
a gotejar rimas coloridas...
com reticências a subir em bolhas de sabão...
e o povo louco... estourando-as...
para adocicar suas vidas...
com os sorrisos de carnaval...


Duka Souto e Fabiana Luedy





terça-feira, 13 de março de 2012

Com gosto de fruta doce...


Há!!!! esses reencontros...
essas almas que não se esquecem...
quando olham nos olhos...
vêem a saudade de outros tempos...

Ressentem, os sentires doutras vidas...
com gosto de fruta doce...

Como uma dança que...
as faz bailar o salão inteiro...

Como um tesouro encontrado...
que por tempos era procurado...
com cheiro de pão francês quente...
aberto à mão...
com manteiga passada pelo verso da colher....
a derreter sob o miolo... amarelando-o...
tornando-o crocante por fora...
e suculento por dentro...

Há!!!! esses reencontros...
não quero sede, nem fome...

Com tanto sabor...
eles alimentam a vida...
recarregam as baterias da alma...
irrigam de cores de paixão...
os corações dos corpos...
onde hoje habitam...

Essas almas que não se esquecem...

Duka Souto e Aline Nepomuceno

sábado, 10 de março de 2012

Frutos da Mídia...

Explosão de saberes ocultos...
Mudos gritos de silêncio...
Na ciência de seres astutos...
Em simples flashs de tempo!

Palavras que falam por si...
Gerando infinitas visões...
Canções, poemas e prosas...
Que constroem e destroem nações!

Na era da pornofônia...
D mídia massificadora...
Extingue-se a poesia...
Que um dia foi encantadora...

O povo não vai mais à rua...
Não briga pelos seus direitos...
Mulheres requebram-se nuas...
Com retalhos de pano nos peitos...

Mas quem é que se importa com isso!?
Pra quê um povo inteligente!?
Alienar o ignorante, o omisso...
É mais fácil que fazer Repente!!!

Duka Souto 2008

quarta-feira, 7 de março de 2012

Onde mora a tristeza

Gritei...
pra dizer baixinho...
para mim, sozinho...
o que era aquilo!

Sonhei...
com um belo sorriso...
d`uma bela moça...
e não há quem possa!

Nossa...
acordei feliz...
vermelho, era meu nariz...
Alegria era meu nome!

Onde...
mora a tristeza...
em mim nasce a beleza...
e no fim...

Termino...
eu mesmo, sorrindo...
somente, rindo...

Duka Souto e Cacau Reis



quinta-feira, 1 de março de 2012

Ser-se

Enquanto o mundo se decide...
vou organizando meus pensares...
deixando um pouco de voar...
pisando menos pelos ares...

É quando, o eu, que se decide...
o que quer, ele, sentir...
quem, ele, quer conhecer...
e deixar o resto se ser...

Se ser...
um amor...
por uma menina...
ou uma mulher...
se ser apenas o que é...
o incondicional...
o que também traz certa dor...
ser-se o sentir natural...
ser-se apenas amor...

Duka Souto

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Coisas de Caranval

Coisas de carnaval...
Um apaixonar volátil...
Que esfarela...
Jogado fora, sem demora...
Pelo receio dela...
Embora triste... um amor existe...
Em cores de aquarela...

Coisas de carnaval...
A esfera gira... fico tonto...
Só de nela pensar...
Já sabia como seria...
Mesmo ciente...
E de repente...
Iria eu, me apaixonar...

Coisas de carnaval...
É sempre assim que acontece...
Tudo é divino...
Maravilhoso...
Mas sempre...
O outro dia amanhece...

Duka Souto

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cata-vento...

Versifico e...
Diz..verso... e fico...
o instante...
do exato momento...

Colorindo...
o colo... rindo...
no sorriso...
um cata-vento...

Rasga o som...
em gargalhada forte...
Não sei se volto...
ou subo pro norte...
Ao lembrar disso...
gosto do azul...
Assim vou voando...
e sorrindo pro sul...

Um Cata-vento...
no sorriso...
rindo o colo...
Colorindo...

Do exato momento...
o instante...
Diz...
verso e... fico...
e Versifico...

Duka Souto

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vôo sem fim...

Transformando o ócio em arte...
Olhando ao redor, tudo e todos...
Transito por todas as partes...
Se partes, ainda ficam outros...

E os olhos do pássaro marrom...
Atentos ao que há de bom...
do belo a sutil alegria...
de um simples desejar: - Bom dia!
ou um mero olhar para o olho...

Me entrego de asas abertas...
mergulho nesse vôo sem fim...
caminho com mentes inquietas...
anarquistas, livres, libertas...
bem como a que existe em mim...

Duka Souto    

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Zero

É!

Esse cheiro de despedida...
Só me recorda a solidão...
Mas não a do "espaço vazio,
entre eu e mim"...
Não nesse vão!

A solidão de sentir-se vazio...
Sem nada por dentro pra sentir...
Sem ter calor, ou estar frio...
Sem nem o nada pra existir!

Esvaziado!
Seco!
Só!

O fim...
gerando um começo...
desfez-se o laço...
não vê-se o traço...
nem mesmo pó.

Duka Souto

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Bons Ventos...

Quero uma brisa que junte meus farelos no canto da sala...
pra ver se com a poeira eu me reconstruo...

Quero um vento que me leve pra onde nada se fala...
pra ver se no silêncio do mundo... não me destruo...

Quero uma tormenta que me leve ao olho do furacão...
pra que dentro da calmaria dele... me tranqüilize o coração...

Quero um vendaval que carregue embora todo o passado...
e deixe no seu rastro... apenas o belo e o amado...

Duka Souto

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Lu - iese II

Delicadeza felina...

A cada passo...
e cada gesto fascina...

O controle absurdo, de seu corpo...
fragmentou-me os pensamentos...
deixou-me completamente torto...

Deixando em silêncio meu eu...
criando na minha mente um quadro...

Esculpido pelo descobrir, do corpo dela...
e em minhas mãos, um enfarto...

Em meus olhos fechados...
todas as cores possíveis duma aquarela...
pintada pelo meu dedo...
molhado no suor da bela...

Em minhas narinas...
o cheiro de sua flor orvalhada...
e em mim a paz, e o brilho...
do primeiro raio de luz..
de uma linda alvorada...

Duka Souto

Lu - iese I

Luz... emana...
o sorriso dela...
no olhar a chama...
de um florir de primavera...
no sabor um doce...
meio-amargo e azedo...
coisas que me trouxe...
sem saber, num beijo...

Seu abraço intenso...
aconchega e acalma...
mas também inflama...
minha chama clara...
e por dentro fervo...
pura ebulição...
ao sentir seu cheiro...
ao sentir seu corpo...
e ao sentir seu gosto...
perco toda noção...

Duka Souto

Sentada ao Lado...

Eu, esperando o decolar...
enquanto uma sandália...
de cor laranja balança...

em circulares movimentos...
a encantar-me os pensamentos...
gerando um ritmo, uma dança...

Agora, na outra perna...
a prata da tornozeleira...
toa seu som, ao movimento...
sutil de de forma faceira...

E eu, aqui sentado...
observando, sozinho calado...
com a caneta a resgistrar...

A bela moça sentada ao lado...
que este poeta, mais que encantado...
fez o poema pra se expressar...

Duka Souto

Afastou...

E o que fica?
Já que o amor se afastou...
Uma sílaba partida...
Um fragmento de cor...

Uma pausa...
Um retrato...
Um gesto singelo,
Um ato...

A lembrança de um tempo...
d'um fato...

Dizer o que nunca foi dito...
Desenhar palavras sobre o que nunca foi escrito...

E o que fica?
Já que  o amor se afastou...
Uma cara...
Uma faceta...
Um B de beijo de borboleta...

Um grito em silêncio...
Uma frase sonora...
Um sopro de vento...
Dizendo: - Vá embora!!!!

Um querer não querer...
Sem nenhuma noção...

O que vai acontecer?
- Não pergunte, mais não!

Duka Souto

Margarida da Praia

O escaldar do sol,
na areia esbaforida...
Fisgado por um anzol,
de uma bela Margarida...

O poeta sentado pensa...
encontra o azul,
a cor do céu...

Por acaso é a cor da tinta...
que rabisca seu papel...

E se enamorando, à sós...
brincando com Ás, em Oz...
Volta e acorda pra vida...

Pois não sabe quem...
muito menos, de onde vem...
a tal, bela Margarida.

Duka Souto.