sexta-feira, 25 de abril de 2014

Vaga

Vaga pela madrugada
tudo que me traz saudade
noites de outono
regadas a vinho
bom som de vinil
acompanhado do calor dela

Vaga pela madrugada
a saudade de pisar
no chão de taco
e andar espirrando
o chão frio
a cozinha apertada
as panelas de tampa de vidro
a ausência de carnes terrestres
no meu cardápio
de casa

Vaga pela madrugada
o grito desse silêncio
imerso na saudade
da primavera de uma flor
apenas uma
que todos os dias
abriu-se bem como os olhos
e fechou-se quando cansou do dia
mas tornou a florescer-se
dia após dia
na cor vermelha
e apenas ela
nesse lembrar
a via.

Duka Souto

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