domingo, 19 de setembro de 2010

quando Penso...

Para cada...
intervalo de silêncio...
o nada...
soa e entoa uma sinfonia...
e em cada coisa que penso,
que penso...
um bilhão de intervalos de silêncio...

DukaSouto

sábado, 18 de setembro de 2010

Virada

sem o poder de adormecer...
fico pela minha noite que amanhece...
o sono...
se vai... e esquece...
mas se lembra, do presente instante...
um Bach, nas caixas...
e o som deseja bom dia...
ao sol, nem vem se mostrar...
e nuvens da madrugada...
aguardam para...
quem sabe chover...
ou, simplesmente...
sublimarem...
no calor das horas que passam....

DukaSouto

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sa-ú-da-de

Agora,
mais um pouco de saudade,
entre versos me invade,
e esvazia minha tarde...
Embora,
a tal flor que a mim namora,
não se encontra em sua carne,
por isso a saudade arde,
E demonstra sua beleza,
a falta, que se junta com a tristeza,
arruma a casa e põe a mesa,
vai colorindo a solitude,
e eu,
vou simplesmente descrevendo,
o mais encantador veneno,
da saudade, em verso puro...



Duka Souto

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Gostei!

abro a janela...
uma fresta...
de forma modesta...
só que ela passa...
a flor de minha primavera...
suave na brisa...presença... tão farta....
é quando o som do silêncio...
diz tudo calado....
e tudo acontece...
na verdade de tudo o que penso...
de tudo desfruto...
e o poema se tece...

DukaSouto

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Blues...

Uns versos salgados...
com sabor de sargaço...
o "mistério do planeta" revivido espéctadoramente....
decorrente de loucuras individuais...
não de propriedades autorais, por conta da Zuwuya...
é assim que conhecemos...
nosso Deus...
descobrimos...
nosso Diabo...
o que é verdade...
e que ninguém é capaz de mentir ao outro...
... a partir do momento em que o ouvinte acredita que é vero...
o mentiroso mente apenas para si...
isso é a criança...
a purificacência....
o não criar espéctativas...
a confiança...
o amor...
a amizade...
o respeito...
isso...
é apenas...
ser...

Duka Souto

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

o Curso

é a vida que segue seu curso...
o rumo é desconhecido...
o caminho perigoso e florido...
e as belezas espalham a paz...
mas sempre queremos mais...
que apenas um rumo desconhecido...
ou, um caminho perigoso e florido...
é a vida que segue seu curso...

Duka Souto

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Real?

hermetificando...
o pensamento...
transmutando...
o próprio ser...
nessa alquimia eterna em busca...
do fim...
da morte...
na curiosidade...
do pós morte...
questionar...
querer saber além...
além dos sonhos...
o que seria na verdade, o real?
o agora? o sonho? o amanhã?
não tenho essa resposta...
por isso...
paro de perguntar sobre...
vivo todos os dias...
sabendo que a qualquer momento...
pode ser o último...
tendo só, som, versos...
e as cores de uma poesia torta...
apenas agora,
posso dizer...
que vivo...
daqui a pouco...?
nem sei...
ontem...?
já foi...
por isso,
somente, por isto, é que...
fundo...
instituo...
faço expressar-se...
o meu real...

Duka Souto...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Como me amar

quem sou eu para fazer alguém feliz...
se esse alguém já não for feliz sozinho?
se esse  alguém não tem amor por si...
como posso ser amado por ele?
como posso buscar fora, algo que...
está dentro de meu ser e eu não sei?
vou passar a vida inteira a procurar...
vou chorar,
gritar,
me matando pouco a pouco...
louco eu ficarei,
mas não pro bem...
cada dia me distanciarei do Zen...
cada vez que eu viver no amanhã...
ou lembrar daquela dor que já passou...
sempre que eu me virar para o passado...
do presente,
perderei todo amor...
que me amou,
enquanto eu estava ontem...
e o ontem morreu tanto quanto eu...
ficarei com as imagens e antes que sumam...
no instante,
em que as lágrimas me inundam...
e me afogam,
me tirando todo o ar...
como é que poderei amar a alguém?
se eu nunca descobri...
como me amar?

Duka Souto

terça-feira, 1 de junho de 2010

hoje a Tarde..

uma tarde gélida...
friamente aconchegante...
nos intervalos, entre a geladeira e o sofá...
o cigarro pendindo um café...
e as mão pedindo calor...
a mente pede um poema...
os carros passando pedem pressa...
eu peço calma...

Duka Souto

segunda-feira, 31 de maio de 2010

essa Tarde

um frio...
e o vento sopra...
o casaco esquenta o silêncio...
o sono vence a batalha...
as pontas dos dedos roxas...
lábios secos...
enquanto a flor adormece...
a chuva molha os cáctos...
e as orquídeas...
sorriem...
um sorriso úmido...
cheio de folhas grossas...
e versos...
da serra-de-disco...
gritam do corredor...
e silenciam...
e gritam...
e...

Duka Souto

quarta-feira, 26 de maio de 2010

no Trago

traga que eu trago...
o talo...
e queima a seda que envolve...
o mato na queimada arde...
e a mente, se desloca leve...
leva a fumaça verde...
madura ou quem sabe...
em quadros...
ou bolas pretas duras que esquentam...
pingam quando viram brasa...
com a asa vou a onde quero...
o belo fica mais lustroso...
ruído mais silencioso...
e o cérebro adormece então...

DukaSouto

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O passo...

o silencio das horas passando...
o tic-tac do ponteiro...
um verso, no presente instante...
e o louco do interessante...
é ouvir todo o som...

é bom...
vai relaxando...
e com as palavras aqui pintando...
aquilo que só vem na mente...
o enredo do meu repente...
recorda o passo do mameluco...
cabra de frevo, de pernambuco...
pernas pro ar, caixa e clarins...
em um segundo que se combina...
o pierrot, a colombina....
eu de bermuda, e camiseta...
flertando, de chinelo nos pés...
lembro de ti Olinda...
bela marin dos Caetés...

Duka Souto

sábado, 24 de abril de 2010

Vago pelo vento, no tempo
D'um compasso quaternário
Um mar de nuvens ao relento, no céu...
um gasoso balneário...

Duka Souto

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Prece...

livrai-me da presença..
de quem não gosta de flores...
de quem puxa o nariz do palhaço...
de quem não deseja bom dia...
de quem adora cortar o laço...
de quem teme ser feliz...
de quem reclama ao ouvir música...
de quem finge que não escuta...
de quem não é aprendiz...
de quem representa ser outro...
mas a vida não é palco...
de quem proporciona o desgosto...
sempre com a alma lavada...
de quem quer tudo pra si...
de quem também não quer nada...
de tudo que não faz rir...
do fim do canto da alvorada...
da vida sem poesia...
do riso sem alegria...
do final da caminhada...


Duka Souto

Simbiose

Nas alvoradas... caminhando rumo ao sol...
encruzilhadas e esquinas, tateando o vento...
O tempo, mostra-se tão claro quanto a luz...
clarificando sensibilidade e sentimento...

A simbiose da energia,
vai nublando o meio-dia...
sombra no sol, faz a paz...
No intervalo da inspiração,
a imensidão que guia...
para nunca olhar pra trás...

Pra plantar flores no jardim da escuridão,
Desabrochar de várias cores, com as mãos pintando...
Todas as forças gravitacionais, se vão...
E por inércia, é que as coisas vão se transformando...

Duka Souto

sábado, 10 de abril de 2010

... ... ...

Como se pudesse...
fazer tudo que quer...
eu calo...
calo com um grito...
grotesco mas não aflito...
silencioso...
ruidoso...
e...
bonito...
como o primeiro passo adiante de uma criança que aprendera a andar...
como um velho banguelo que depois de anos volta a sorrir e mastigar...
como ter a primeira namorada... e no primeiro beijo... pensar... eu a amo...
sem nem mesmo saber o que é amor... e que ele muda com o tempo...
esse grito...
carregado de silêncio...
entorpecido de paz...
embriagado de mim...
eu chamo de poesia...

Duka Souto

Momento...

Um momento solitário...
num silêncio ruidoso...
automóveis a passar na rua...
a vida nua... na sua forma de se estar...
só...
sem a presença de ninguém...
acompanhado apenas de palavras...
que se deixam sair pelos dedos...
no estado em que a alma...
clama pela solidão...
na finalidade de conversar consigo...
e nesse abrigo...
ser...
e estar...
apenas...
só...


Duka Souto

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O caderno da alma

Por horas...
versifica-se o tempo...
Ao relento...
o silêncio distrai...
O calor...
deixa o corpo sebento...
e sedento da vida...
sempre querendo mais...
Inicia-se...
o caderno da alma...
sempre com toda calma...
a escrita que vem...
Não pertencendo ao ser que a transcreve...
numa pausa tão breve...
a mente chega ao Zen...

Duka Souto

Deleitado

Suavemente... a poesia...retorna...
leve como a fibra de carbono...
colorida como a aurora boreal...
molhada e escorregadia como pedras de um rio de corredeiras...
simples como uma manhã em cidade de interior...
com palavras simples...
sem gramática normativa...
com um sorriso...quem sabe banguelo...
ou cheio de dentes de leite...
deleite-se...

Duka Souto


Rabiscam...

Os versos jogados no canto da sala...
A palavra, de ressaca, no sofá...
Advérbios e preposições famintas,
fuçam a geladeira e a dispensa,
em busca de papel, para degustar...

Um verbo, vestido de cupido, atira flechas de amor...
Substantivos, pronomes, artigos e todas as outras classes,
apaixonadas pelo grafite do lápis, em atrito com a madeira...

Rabiscam um poema...

Duka Souto.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Stella Maris

No brancor azulado de tuas dunas...

no verde das tuas águas salgadas...

nos silêncios passarinheiros, os sabiás...

cantam para as felizes alvoradas...

e seu canto vai também para os crepúsculos...

laranja avermelhando pro dourado...

calmos, silenciosos, sempre muitos...

luares à beira mar... do outro lado...

Te olho como uma brisa leve e quente...

que passa pós a chuva a anunciar...

que guardo com amor, saudosa-a-mente...

Stella Maris, Salvador-Bahia.

Duka Souto

Pérola do Semi-Árido



Nos olhos do sertanejo
A seca do licuri
A pele rachada, da seca
Mas nunca se deixa de ri
A simplicidade do povo
Que labuta o dia inteiro
E ainda pega na viola
Se junta também com o pandeiro
Trabalha a semana, pra feira
Pra comprar o de comer
Recebe quase uma esmola
Chega ser difícil de crer
Comprando a subsistência
Sua alimentação
Ainda dentro da bondade
Sobra um para doação
Reza pra chuva cair
Pro sertão se enverdecer
Pra cultura licuri
Nunca desaparecer...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Nunca...

Nunca, é muito tarde...
e foge dos princípios...
pois só o que é perto, arde...
invade os sentidos...

Nunca, é tão distante...
que o perto, desaparece...
embreaga o belo, o infante...
toda noite, então, amanhece...

Nunca, é o contrário...
o oposto pólo do eixo...
fica no imaginário...
o que penso, contudo deixo...

Nunca, existirá nada...
capáz de nunca ser...
nunca, será a morte...
nunca deixe de viver...

Duka Souto.

sábado, 15 de agosto de 2009

Comia-se a noite,
naquela tarde, ensolarada
de chuva, na janela
d'um quarto sem janelas...
E numa quina, bem dobrada
ouvia-se a noite
gritando pro dia:
Podia ter sido, de madrugada
Quem sabe? outra hora...
Senhora... tão nua
Lua de sorriso
preciso ir, não fique
salpique de estrelas
belas brilhantinas
e a noite... calada...
pincelando rimas.

Duka Souto.

domingo, 9 de agosto de 2009

Virtude...

A poesia virtude dos bôbos.
Retiram a própria cabeça da forca,
Como as palavras saltitam da boca,
Conquistam rei e o rebanho dos tolos...

Com versos simples, encantando a todos,
Vão recitando, as histórias mais loucas.
Contam que os cordeirinhos são lobos,
E arrancam suspiros das jovens moças.

Ora... contudo são poetas tristes
Que vivem sempre a desejar a morte.
No bote, a cada verso que persiste...

Dão sua alma quando tiram a sorte,
Mesmo perdendo mostram que existe...
Também nos fracos, algo bom e forte.

Duka Souto.
10 de agosto de 2009.