terça-feira, 15 de outubro de 2013

Olhos

Pensem em algo doloroso
não é quando chega o fim
ou quando a expectativa
vira ao contrário;
é quando o silêncio dura
a coragem não vence o receio
e o receio leva à fuga.
fugindo, nunca saberemos os fatos
a recepção deles
os olhos.
Mesmos olhos que enquanto dura
o silêncio, nunca calam.

Duka Souto

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Post-e

O poste que ilumina
toda a rua;
o poste que clareia
as idéias;
o poste que ilumina
toda a praça;
e a menina que brinca nela.

A idéia, a vestir
a alma nua;
a nuance da luz
na atmosfera;
o verso do olhar
cheio de graça;
e a graça, do olhar
pela janela.

Quem dera,
a primavera em um olhar;
a olhar,
no meu olhar,
quem dera;
o poste,
pra iluminar a praça;
e a praça,
pra a menina,
brincar nela ;

Rodrigo Chagas Daltro & Duka Souto 

domingo, 12 de maio de 2013

Irmão Primeiro (ACRÓSTICO)

N inguém é, nem chega perto de tu pra mim
I nigual, irmão mais velho
C úmplice de peripécias
K abra danado de boa gente

S empre cuidando de quem ama
A mor sentido à poucos
I nconfundível, único, Ele
K arente eternamente
E ainda por cima auto-suficiente
R egistro meu amor por Ele.

Duka Souto

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Dia chuvoso.

O bate-bate do martelo
na parede
e a boca seca
a reclamar de sede
chuva caindo
vento molhado correndo
vozes falando
pensamento em verso escorrendo
mente a fervilhar
gargalhadas verdes
dor de riso no maxilar
a poeira da reforma a incomodar
mas a preguiça quer deitar na rede

Duka Souto

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cumprido

Adoro a zuada do vento no cabelo
cumprido, o som se realiza
e me acalma

Quando não tenho cabelo
e as orelhas ficam ao vento
brota em mim a inquietude
a cada brisa que passa
um grito de vento
acelera meu pensar
diminui meu tempo
e tudo fica onde está.

Duka Souto

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Dizeres

Se deveras soubesse do fim do mundo,
deixaria a matéria de lado;
sonharia, pra sempre, acordado;
a harmônia seria meu plano.

Estaria dentre o corte,
em ação, mediando os pensares
os conceitos, aceitando
a loucura e a razão
sem importar-me, com virtudes
nem defeitos;

Saberia seguir sob os mares
a remar, rumo aos não-lugares
numa embarcação de piratas
fugitivos do mundo e seu fim
num conjunto dos loucos de mim
entorpecidos de verbo e palavras
foto-grafiadas, furtadas
a furtar da estação das flores
o arôma, a textura, a beleza
o sabor, o amor e as cores;

Deixaria ao final do meu mundo
todos meus gritos mudos, escritos
os rabiscos que à óleo pintei
e a certeza, do lembrar que sou isto.

Duka Souto

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Do Agora

Mas falar de que?
Se não do agora;

Que o presente
deu de presente,
como um bouquet
num recipiente,
para enfeitar as horas.

Uma flor a sorrir
um sorriso maroto,
de inocência e malícia

Aonde era neve
hoje a água faz café
beira de praia
sol da Bahia
_Axé!!!

Duka Souto

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Apenas

Apenas vivo
para ser concreto
nesse meu mundo abstrato
no meu silêncio
de peito aberto
a foto-grafiar, fatos;
para reunir-me
a outros seres de concretude
na busca de abstrair tristezas
desconstruir fortalezas
sempre primeiro
as que mesmo construí
Apenas vivo,
para amar e sorrir!

Duka Souto

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Aquoso

Queria somente dizer
do silêncio em meu peito guardado
do calor passional, aquoso
que me toma se estás ao meu lado

Dessa forma bem descomedida
olho e vejo-me em teu ser
talvez, saiba até como funciona
eu desejo, quero sempre te ver
ter a ti caminhando ao meu lado
ver-te adormecer aos meus braços
desenhar-te, descobrir teus traços
de maneira que não aprisiona

Nesse verso de desembaraço
que expresso, meu apreciar
é que visto a grafia, do fato
na calada voz, chego a gritar
afirmando ao Sideral Espaço
peço aos santos, para tu ficar!

Duka Souto

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Poucas Palavras

eu canto
pra enganar a tristeza
e escrevo
para ouvir a alma
os versos
trazem a sutileza
a beleza
silencia a fala
o silêncio
faz ouvir o vento
o instante
em que o tempo para
desenho
o meu sentimento
unido por poucas palavras

Duka Souto

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Rubro

Vi, olhos
queimando em fogo
e na alma,
céus, cinza e rubros
tempestades
no sol
terra em brasa

Tijolos caindo
do alto, queimando
o asfalto
a desfazer-se em fagulha

Labaredas
dançando em gotas
estilhaço criado
com poucas
entre tantas bocas
um sorriso às anula.

Duka Souto.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Sem mais.

Um vento me sopra
trazendo um silêncio
em tudo o que penso
também no calar

Um sopro, de sol
meio como um farol
um verso retorna
a se escrever

Um entoar em dó
um acorde em sol
sem ter reticências
sem mais se esconder

Sem mais nem falar
sem ser mais de dor
sem mais se enganar
mais sempre de amor.

Duka Souto

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Segunda-feira

Lá fora, ...
faz um dia cinza...
enquanto aqui, ...
eu meio cinza por dentro...
meio vazio...
podia estar vazio por completo...

Assim, ...
poderia preencher...
inteiramente...
de coisas novas...
de coisas boas...
de não coisas também...

Sentires...
poderia abrir-me...
para sentir amor...
e deixar a paixão...
me consumir...
deixar sua loucura tomar-me...
transformando a minha loucura...
em lucidez passional...

Quero um sorriso dentro de meu peito...
quero frio na barriga...
quando ouvir uma voz...
quero ouvir uma voz...
quero um telefonema...
e telefonar...
só pra dizer um "oi"...

Combinar...
de se encontrar...
pelo caminho...
em algum jardim...
roubar uma flor...
pra encantar...
e me encantar...
com o brilho dos olhos da bela...
tocar sua pele...

Não ver cinza...
ver flores...
sentir o orvalho da brisa...
exalando o aroma dos amores...

Duka Souto

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Cheio...

Quero um verso cheio...
lotado de sorte...
meu sentir alheio...
desejando a morte...
se consome aos poucos...
infiltrado aos loucos...
pelas ruas, becos...
e encruzilhadas...
a fumar cigarros...
fazer poesia...
degustar cachaças...
noites viram dia...
dias não terminam...
a energia acaba...
e a vida que ia...
sem ser viva, cala...

Duka Souto

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Intens-er

Posso ser intenso...
sendo isso; penso,
deve até assustar...
Um...
sentir...
tão imenso...
vasto,
largo e espaçoso...
encantador,
caloroso...
que nem,
quando dança...
o fogo...
a labareda...
a faísca...
a fagulha...
a água... que de quente...
ferve...
na ebulição...
borbulha...
A tinta da caneta...
que escreve...
registra...
o que vem do olhar...
à espreita...
A observar...
o mundo em volta...
por entre as lentes...
da luneta...

Duka Souto

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ansiedade...

O que dizer...?
é melhor o silêncio...
até do próprio corpo...
do ser...
do sentir...
Ansiedade...
a rir da mente inquieta...
a liberdade...
não ultrapassa a porta aberta...
o silêncio...
é o melhor a escolher...
o silêncio dos olhos...
o que dizer...?

Duka Souto

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Escassez

Deixei o tempo me levar...
pra onde... 
o vento quisesse...
saindo em noites...
madrugadas...
voltando sempre... 
bem depois que amanhece...

Nos bares...
tragos de álcool e tabaco...
e outros tragos a surgir...
trago, as palavras... 
trago, os versos...
trago, os lábios, das moças...
a sorrir...

Na degustância...
do tragar da vida...
tento trazer...
somente, o que sustenta...
Trago, o que me esfria...
enquanto quente... 
e quando esfria...
o que me esquenta...

Trago... 
as cores da primavera...
e as flores...
trago-as em buquês...

Trago...
no silêncio da noite...
a certeza...
de mais uma vez...

Aos...
olhares curiosos das janelas...
trago amores...
hoje em escassez...

Duka Souto


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Na estrada... um verso... só... verso...

Eu escreveria um verso,
para a estrada sinuosa...
ou pra moça, lá da frente...
e sua face formosa...

Escolhi fazer só verso...
simples, como o papel...
cru, fino e seco...

Iluminado como a rua...
e escuro como um beco...

Vazio que nem bambú...
lotado que nem busão...
pesando que nem bigorna...
e tão cheio que chega esborra...
mas voa que nem Azulão...

Um verso feito a noite...
na espreita, no açoite...

Um verso feito o dia...
tão volátil quanto o éter...
e com cores derrentendo...
como em pura lissergia...

Um verso feito a tarde...
o dourado do sol arde...

E na chegada do luar...
o azul da noite invade...
com estrelas, cintilantes...
e os sorrisos das moças dançantes...
pelas noites a trabalhar...

Duka Souto

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Nada Brota

Queria ter o poder...
pra fazer o tempo voltar...
mudar ia minha mente...
minhas ações e meu pensar...

Quem sabe hoje ainda teria...
no meu vaso aquela flor...
ter de volta a primavera...
que o inferno frio levou...
e vê de minha própria janela...
o colibri beijando a flor...

Não teria como hoje...
a cor cinza a minha volta...
muito menos um vaso vazio...
onde a vida já não brota...


Duka Souto 

domingo, 12 de agosto de 2012

Pai...

Exatamente...
sendo igual...
mesmo muito diferente...
o que um dia serei, também...
o tal... o cara...
a figura do espelho...
o palhaço, o herói...
sempre sem super-poderes...
o das histórias...
dos, dizeres...
o dos concelhos...
e dos silêncios...
o louco que lê...
por muitas vezes...
o que ouvi, dito pelo vento...
coisas que por ventura, penso...
o que observa meu sonhar...
o que me cuida...
e me faz chorar...
o que ao soar o violão...

faz Mainha, cantar...
e vice-versa é que eu digo...
com ela fiquei no umbigo...
depois o mesmo, Bruxo-velho...
sendo um pouco ainda mais novo..
me mostrara, por vezes, ao pescar...
na maré-suja, o arremesso...
que mais tarde... era...
defronte ao mar...
foi comigo pegar jacarés...
e no peito, me fez mergulhar
em Gaibú...
nos verões e invernos...
me ensinou a passar por infernos...
e por céus...
onde tudo era azul...
essa alma,
cuja voz acalma...
mesmo sendo o maior dos Nervosos...
que conquista com os olhos estirados...
os ouvidos de velhos e novos...
o ar que move a corrente...
deste ser feito d'água e repente...
e que sente uma saudade imensa...
deste besta que escolhe estar longe...
sabendo mesmo que lhe consome...
e está certo: _ a saudade compensa...
e está certo de que sempre vai...
com amor, falar sobre seu Pai...


Duka Souto..

domingo, 1 de julho de 2012

No meu Canto...

Passaria, toda uma vida...
observando-a passar...
seu andar cheio de charme...
até parece flutuar...

O rasgado dos seus olhos...
os traços retos do seu rosto...
o fino fio de seu cabelo...
a cada vez que por mim passa...
na minha mente um desmantelo...

E observo, é o que faço...
a cada sutil movimento...
dentro do atual espaço...
olho, me abestalho, me encanto...
rabisco a página...
caladinho no meu canto...

Duka Souto

sábado, 9 de junho de 2012

Cores do vazio cinza...

Pensando em cores...
para preencher...
o cinza...
do vazio, ...
instalado no meu sentir...

Tentei ver o azul do céu...
mas uma nuvem...
que de cinza...
ficou rubra, ao chegar a noite...
cobre a cidade...
há alguns dias...

Esquentei meu frio...
com o amarelo...
dos flocos de milho...
de um cuscuz...
o pretume...
de um café forte...
o vermelho...
temperado...
em um molho de tomate...

Termino com as cores...
de um copo d'água...
e aos poucos...
transparente, a mente...
vai se encontrando...
e encontrando...
o conforto...
aconchegante...
da solidão das cores...

Duka Souto

Da porta do quarto...

Chuva lá fora...
a cidade some...
dentro de uma nuvem baixa...
turva... e cinza...

Na mureta, da área de serviço...
três mudas de orquídeas crescem...
com suas raízes, que ao mundo aparecem...
a buscar substrato de vida...
entre cactos, suculentas,
e um mato que lembra...
o alecrim...

Mais acima...
uma Phalaenopsis Alba...
preparando-se para florir...
em pleno fim de outono...
mais um cacho de flores...
sorrirá pra mim...

Duka Souto

Frio...

Queria...
não estar distante...
que o presente,
fosse,
onde pensássemos...
e...
estaria-mos lá...
onde...
num piscar de olhos...
a vontade dissesse...
mas agora...
o presente é frio...
e distante...
de onde...
minha vontade diz...
querer está...
apenas o esvaziar-me...
com palavras frias...
me esquenta...
e aquece...
meu ser...
meu presente...

Duka Souto

Opaco...

Confusão...
mente inquieta...
e não para de chover...
frio...
meias nos pés...
casaco... e ainda frio...
meu sentimento...
frio!
meu pensamento...
vazio!
meu olhar...
opaco...
como um caco de vidro...
sujo de barro...

Duka Souto